sexta-feira, 16 de maio de 2014
quinta-feira, 15 de maio de 2014
terça-feira, 13 de maio de 2014
O Educador X a barreira dos Pais
Oi Pessoas!
Assistam este episódio da Supernanny brasileira.. O tema dele servirá como discussão para nossa próxima aula.Basta clicar nos links abaixo.
Parte 1
https://www.youtube.com/watch?v=x7N0l5NkLx8
Parte 2
https://www.youtube.com/watch?v=31e6mwlrias
Parte 3
https://www.youtube.com/watch?v=divZ3B57CQU
Final
https://www.youtube.com/watch?v=X_EnlbxS5L0
Assistam este episódio da Supernanny brasileira.. O tema dele servirá como discussão para nossa próxima aula.Basta clicar nos links abaixo.
Parte 1
https://www.youtube.com/watch?v=x7N0l5NkLx8
Parte 2
https://www.youtube.com/watch?v=31e6mwlrias
Parte 3
https://www.youtube.com/watch?v=divZ3B57CQU
Final
https://www.youtube.com/watch?v=X_EnlbxS5L0
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Comentário de Luiz Carlos Prates - Capoeira, bateção de tambor
Boa Noite Pessoal!!
Esse vídeo gerou muita polêmica entre os educadores e os artistas quando foi ao ar! Penso que será interessante assisti-lo.
Grande abraço!!
https://www.youtube.com/watch?v=qb8ERGFxvuI
Esse vídeo gerou muita polêmica entre os educadores e os artistas quando foi ao ar! Penso que será interessante assisti-lo.
Grande abraço!!
https://www.youtube.com/watch?v=qb8ERGFxvuI
Video Children see Children DO
Boa Noite Pessoal,
segue abaixo o link do vídeo que comentei na última aula!!
Grande abraço a todos!!
https://www.youtube.com/watch?v=KHi2dxSf9hw
segue abaixo o link do vídeo que comentei na última aula!!
Grande abraço a todos!!
https://www.youtube.com/watch?v=KHi2dxSf9hw
terça-feira, 22 de abril de 2014
Henri Wallon, por Izabel Galvão
Izabel Galvão é uma pedagoga que estuda de maneira profunda a teoria de Henri Wallon. Este vídeo é complementar à nossa aula e também é um aprofundamento nos conceitos desse autor considerado o psicólogo da motricidade, da emoção e do caráter. Querem saber o porquê? Assistam ao vídeo e aproveitem!
Vygotsky, por Marta Kohl de Oliveira
Marta Kohl é uma grande estudiosa do desenvolvimento humano, especialista na teoria interacionista de Vygotsky. Ela expõe de maneira bastante clara os principais conceitos deste autor. Aproveitem porque Vygotsky dá mais ênfase ao papel da escola e do educador no processo de desenvolvimento do aluno. Vamos discutir o que isso tem a ver com nossas aulas de dança.
Jean Piaget, por Yves de La Taille
Gente,
Este documentário é para quem quer se aprofundar um pouquinho mais sobre Piaget. Yves de La Taille é um educador e
psicólogo francês naturalizado brasileiro, especializado em
desenvolvimento moral. Ele é professor do Instituto de Psicologia da
Universidade de São Paulo e é um estudioso de Piaget. Aproveitem pois ele explica os conceitos mais importantes e de maneira bem clara.
Como ele mesmo diz neste vídeo, pais e professores têm muito a ganhar estudando Piaget, pois ele escreve uma teoria extremamente rica que nos permite entender melhor filhos e alunos.
Divirtam-se!
A Criança e o Desenho
Pessoal,
Este texto é sobre a evolução do desenho da criança segundo diversos autores. É para quem se interessar em aprofundar um pouco mais a esse respeito. É interessante comparar a teoria com os desenhos de "uma pessoa" que vocês estão coletando durante esta semana.
A Criança e o Desenho
Daniella Magnini Baptista
Pedagoga
Pedagoga
Sabe-se que o
desenvolvimento motor de uma criança segue algumas etapas que foram
definidas a partir de estudos da área da pedagogia e da psicologia
infantil e vale lembrar que é através de observações, descobertas e
teorias traçadas por especialistas que se pode compreender a percepção
do eu, do outro e do mundo através das representações simbólicas
impressas nos desenhos infantis.
Através do desenho, a criança
naturalmente cria e recria formas expressivas onde integra a imaginação e
a realidade fazendo com que seu desenho seja um canal de comunicação
entre ela mesma e o mundo exterior sem os obstáculos, regras e noções
estéticas sociais que futuramente possa absorver. Estudiosos de várias
épocas e várias correntes dedicaram um tempo especial em suas pesquisas
com observações, registros e organizações de dados sobre as fases do
desenho infantil e entre tantos merecem destaque:
Georges Henry Luquet
(1876 – 1965): filósofo e etnógrafo francês conhecido como o pioneiro no
estudo do desenho infantil, ele partiu da observação dos desenhos que
sua filha Simone fazia para fundamentar suas pesquisas sobre o tema para
sua tese de doutorado. Seu método de estudo partia de uma análise
“monográfica” onde ele acompanhava e registrava todas as ações e
verbalizações da filha antes, durante e depois do ato dela desenhar.
Segundo ele toda criança desenha para se divertir e afirma em sua teoria
que o repertório gráfico infantil está condicionado pelo meio onde a
criança vive e que a intenção de desenhar está diretamente ligada a
objetos reais e a associação de idéias. Luquet distingue quatro estágios
para o desenho infantil. São eles:
• Realismo Fortuito:
(inicia por volta dos 2 anos de idade) a criança verifica que os seus
traços produziram acidentalmente uma semelhança não procurada, isto é, é
a partir das tentativas favorecidas pela tendência ao automatismo
gráfico imediato que a habilidade gráfica melhora e a criança adquire
êxito em seus desenhos através da grafia total pondo fim ao período
chamado rabisco e passando a nomear os seus desenhos.
• Realismo Falhado:
(normalmente entre 3 e 4 anos de idade) nessa fase a criança tem a
intenção de desenhar algo com determinado aspecto, mas não consegue
devido a dois obstáculos: o de ordem motora (quando não têm o controle
total de seus movimentos) e o de ordem psíquica (referente ao caráter de
tempo limitado e descontínuo da atenção infantil).
• Realismo
Intelectual: (estende-se dos 4 aos 10 e/ou 12 anos de idade) a criança
incluí em seus desenhos elementos que só existiam em sua mente e faz uso
de transparências, planificação, rebatimento e mistura variados pontos
de vista.
• Realismo Visual:
(geralmente por volta dos 12 anos de idade) nessa fase a criança
substitui a transparência pela opacidade e o rebatimento e a mudança de
ponto de vista pela perspectiva.
Luquet ressalta que a mudança do
realismo intelectual para o visual; que caracteriza o desenho do adulto;
dá-se geralmente entre os 8 e 9 anos de idade, mas explica que em
alguns casos quando se manifesta bem mais cedo, algumas pessoas adultas
ainda podem permanecer na fase do realismo intelectual. Segundo o
estudioso há outro aspecto do desenho infantil que deve ser levado em
consideração além dos quatro estágios citados acima que é a “narração
gráfica”. Como a criança; ao desenhar uma história; escolhe naturalmente
a melhor maneira de traduzi-la para o papel, ele apresenta três
características para esse processo que são classificadas em forma de
solução. São elas:
1. Narração Gráfica
do tipo Simbólica: (usada por crianças ou adultos) onde é escolhido o
momento mais marcante da história para ilustrá-la.
2. Narração Gráfica
do tipo Epinal: (usada por crianças ou adultos) onde a história é
ilustrada em várias imagens, como nas histórias em quadrinho.
3. Narração Gráfica
do tipo Sucessiva: (usada apenas por crianças) onde são reunidos
elementos pertencentes a diversos momentos da história em um único
momento ilustrado.
Jean Piaget (1896 – 1980): psicólogo e filósofo suíço, foi um grande estudioso do campo da inteligência infantil que observou seus filhos e desenvolveu estudos sobre a aprendizagem como um processo de reorganização cognitiva. Com relação ao desenho infantil a análise piagetiana apresenta algumas fases. São elas:
• Garatuja: (estágio
Sensório Motor) ao completar um ano de idade, a criança passa pelo
estágio da garatuja onde ela sente prazer em traçar linhas em todos os
sentidos sem levantar o lápis do papel como se esse fosse o
prolongamento de sua mão. Como nessa fase os desenhos estão em relação
direta com o “eu” (ego), eles refletem momentos distintos na criança que
podem representar felicidade (através de traços fortes que ocupam em
sua maioria um grande espaço do papel), comportamentos instáveis
(através de quedas constantes dos lápis das mãos) e quando não estão se
desenvolvendo bem (visualmente percebido quando não sabem segurar o
lápis) Nessa fase à figura humana é inexistente ou pode aparecer da
maneira imaginária e o uso das cores tem um papel secundário o que faz
com que apareça o interesse pelo contraste. Até os dois anos de idade a
criança desenha sem intenção consciente o que divide a garatuja em dois
momentos. São eles:
1. Garatuja
Desordenada: percebida através dos movimentos amplos e desordenados onde
o desenho ainda é um exercício, pois não há preocupação com a
preservação dos traços uma vez que eles são cobertos com novos rabiscos
várias vezes.
2. Garatuja
Ordenada: percebida através do uso de movimentos longitudinais e
circulares nos desenhos o que caracteriza o início do interesse pelas
formas através de uma exploração maior do traçado no papel.
• Pré-Esquematismo:
(estágio Pré-Operacional) com três anos de idade a criança já atribui
significado ao que desenha fazendo riscos na horizontal, vertical,
espiral e círculos apesar de não nominar o que faz. Com relação ao uso
das cores em suas produções, ela ás vezes pode usar, mas não há uma
relação forte com a realidade, pois depende do interesse emocional já
que os elementos são dispersos e não relacionados entre si. Como aos
quatro anos ela já é capaz de projetar no papel o que ela sente mesmo
sendo incapaz de aceitar o ponto de vista de outra pessoa diferente do
dela, até os seis anos o grafismo irá representar uma fase mais criativa
e diversificada nas produções proporcionando uma descoberta maior nas
relações entre desenho, pensamento e realidade.
• Esquematismo:
(estágio Operações Concretas) a partir dos sete anos de idade as
operações mentais da criança ocorrem em resposta a objetos e situações
reais e com isso ela compreende termos de relações como: maior, menor,
direita, esquerda, mais alto, mais largo, etc. Apesar de apresentar
dificuldade com os problemas verbais, ela ainda traça a chamada “linha
de base” como aos seis anos apesar de representar a figura humana com
alguns desvios como: exageros, negligências e omissão ou mudança de
símbolos. Nessa fase a criança descobre as relações de cor, cor-objeto e
progressivamente começa a desenvolver a capacidade de se colocar no
ponto de vista do outro. Ao final do estágio das Operações Concretas, o
desenho infantil apresenta a fase do Realismo onde a criança utiliza
bastante as formas geométricas em seus desenhos com maior rigidez e
formalismo e acentuam-se os usos das representações de roupas para
distinguir os sexos.
• Pseudo
Naturalismo: (estágio Operações Formais e/ou Abstratas) a partir dos
doze anos de idade o pensamento formal da criança é hipotético-dedutivo,
isto é, ela é capaz de deduzir as conclusões de puras hipóteses e não
somente através de observação real. Diante disso, essa fase do desenho
infantil é marcado pelo fim da arte como atividade espontânea e passa a
ser uma investigação de sua própria personalidade buscando profundidade e
uso consciente da cor. Na figura humana as características sexuais são
exageradas existindo a presença detalhada das articulações e das
proporções.
Viktor Lowenfeld (1903 – 1960): educador e psicólogo austríaco, ele publicou inúmeros artigos sobre arte-educação onde qualificava a arte como catalisadora da criatividade. Segundo ele a expressão gráfica do desenho acontece em fases conforme o desenvolvimento em cada idade. São elas:
• Fase dos Rabiscos:
é quando a criança faz os primeiros rabiscos de forma desordenada
simplesmente como atividade cinestésica. Após seis meses de rabiscos, os
traços são um pouco mais ordenados e a criança nomeia os rabiscos.
Assim como outros estudiosos ele classifica os rabiscos e/ou garatujas
em três estágios. São eles:
1. Garatuja
Desordenada (um ano e meio e dois anos de idade): esse tipo de rabisco é
percebido quando a criança faz traços simples em forma de linhas que
seguem em todas as direções. A criança rabisca sem um planejamento
prévio ou controle de suas ações e nem sempre olha para a folha de papel
ao desenhar, ultrapassando o limite do papel e procura vários meios
para segurar o lápis.
2. Garatuja Ordenada
(a partir de dois anos de idade): ocorre quando a criança descobre que
existe ligação entre seus movimentos e os traços que faz no papel,
passando do traçado contínuo para o descontínuo. Nesse estágio a criança
troca intencionalmente de cor e começa a fazer formas circulares, porém
não faz relação entre o que desenhou e a realidade.
3. Garatuja Nomeada
(três anos de idade): nessa última etapa da garatuja, a criança começa a
fazer comentários verbais sobre o desenho que fez e passa a dar nome à
garatuja. Nesse estágio é possível observar que a criança passa mais
tempo desenhando e distribui significativamente melhor o traço no papel e
os movimentos circulares e longitudinais convertem-se em formas
reconhecíveis. Pouco a pouco a criança passa a atribuir significado a
seus desenhos nominando-os.
• Fase
Pré-Esquematica: (dos quatro aos seis anos de idade) a criança realiza
as primeiras tentativas de representação da figura humana. As linhas se
fecham e geralmente utilizam o círculo para representar a cabeça e duas
linhas verticais para as pernas. Nessa fase o desenho não forma um
conjunto organizado e por esse motivo a criança desenha o que sabe do
objeto e não o que vê e ainda não há uma relação temática e espacial
entre os objetos desenhados.
• Fase Esquemática:
(entre sete e nove anos de idade) nessa fase a criança chega a um
“esquema”, uma maneira definitiva de retratar um objeto, embora possa
ser modificado quando ele precise retratar algo importante. Os desenhos
nessa fase simbolizam de modo descritivo o conceito de forma definida,
isto é, existe uma ordem nas relações espaciais e entre objetos, seus
temas e suas cores. Ao retratar as coisas da terra a criança as desenha
na borda inferior do papel e as coisas relativas ao céu na parte
superior da folha.
• Fase de Gangue –
Amanhecer do Realismo: (aos dez anos de idade) a criança nessa fase
descobre que a generalização esquemática já não permite expressar a
realidade e por esse motivo surge o alvorecer de como as coisas podem
ser na verdade. Através do desenho a criança coloca objetos sobrepostos
em uma linha do horizonte e não mais na “linha de base” e começa a
comparar o seu trabalho com os dos colegas tornando-se mais crítica.
• Fase Pseudo
Naturalista: (aos doze anos de idade) nessa fase a criança mantém o foco
no produto final se esforçando para criar um desenho que caso um adulto
aprecie ele goste. Nessa fase é comum surgir uma preocupação com o
tamanho dos objetos, seu espaço, dobras e movimentos.
• Fase de Decisão:
(aos quatorze e dezesseis anos de idade) o desenho e conseqüentemente a
arte nessa fase da vida é algo a ser feito ou deixado de lado. Os jovens
são criticamente conscientes e devido à imaturidade são facilmente
desencorajados.
É de suma importância citar que
dependendo do nível de estímulos a que uma criança é exposta ao longo de
seu desenvolvimento, ela pode passar ou não pelas fases descritas pelos
estudiosos e que o importante é respeitar a fase de maturidade
cognitiva e motora das crianças visto que isso pode variar de uma para a
outra.
Desenhar é auxiliar a ver, instigar a
leitura de mundo e de existência. Como o desenho envolve atitude e nem
sempre é um fim em si, ele revela uma linguagem própria na qual a
criança manifesta o que vê, ouve, pensa e sente.
Vale lembrar que o encanto pelo ato de
desenhar se estende por toda a infância e que isso pode desaparecer
gradualmente com a chegada do início da adolescência, pois as crianças
se tornam mais críticas e exigentes consigo mesmas. Estudos comprovam
que isso acontece devido ao fato de algumas crianças apresentarem certa
dificuldade em atingir o realismo visual o que acarreta um quadro de
desânimo e conseqüentemente é gerada naturalmente uma desistência do ato
de desenhar.
É permitida a reprodução dos textos para uso não comercial, desde que citada a fonte e o autor.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
vídeo: Fases de desenvolvimento cognitivo segundo Jean Piaget
Este vídeo é complementar à nossa 2ª aula. Podemos perceber à partir das "provas piagetianas" a fase do desenvolvimento cognitivo na qual a criança se encontra.
terça-feira, 8 de abril de 2014
A Publicidade na TV e a Educação de nossos Filhos
Pessoal,
Texto sobre a publicidade na tv e a sua influência na educação das crianças.
Cliquem aqui:
Casulo: espaço e tempo de crescimento: A Publicidade na TV e a Educação de nossos Filhos:
Continuaremos esta discussão na sexta feira!
Texto sobre a publicidade na tv e a sua influência na educação das crianças.
Cliquem aqui:
Casulo: espaço e tempo de crescimento: A Publicidade na TV e a Educação de nossos Filhos:
Continuaremos esta discussão na sexta feira!
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Filme: Duas Vidas
Este filme também resgata o tema da Infância, daquela infância que foi perdida dentro de cada um de nós, como do livro "Quando eu voltar a ser Criança". Fica a dica!
Ducumentário: A Invenção da Infância
Pessoal,
Se possível, assista este documentário. Super interessante para rechear nossas discussões sobre a infância, com um contexto histórico e social.
Cliquem no link abaixo:
A Invenção da Infância
Se possível, assista este documentário. Super interessante para rechear nossas discussões sobre a infância, com um contexto histórico e social.
Cliquem no link abaixo:
A Invenção da Infância
domingo, 6 de abril de 2014
Vista Cansada
Este texto de Otto Lara Resende, me faz pensar no livro que indiquei como leitura "Quando eu voltar a ser criança". Deleitem-se!
Vista Cansada
Otto Lara Resende
Se eu
morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto:
um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê
não vendo. Experimente ver, pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver.
Parece fácil, mas não é. O que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O
campo visual da nossa rotina é como um vazio.
Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta.
Se alguém lhe perguntar o que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto
ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo
hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo
porteiro. Dava-lhe bom dia e às vezes passava-lhe um recado ou uma
correspondência. Um dia, o porteiro cometeu a descortesia de falecer.
Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia?
Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro
teve que morrer. Se um dia, no seu lugar, estivesse uma girafa, cumprindo o
rito, pode ser que também ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os
olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos.
E vemos? Não, não vemos.
Uma criança
vê o que o adulto não vê. Têm os olhos atentos e limpos para o espetáculo do
mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de tão visto, ninguém
vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria
mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É
por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.
O Casal Perfeito
Dando continuidade aos nossos estudos sobre casal, aqui segue um texto de Lia Luft que acho super interessante.
O Casal Perfeito
Lia Luft
A solidão dos homens tem a medida da solidão de suas
mulheres. Isso eu disse e escrevi e repito em dezenas de palestras por este
país afora. Aí me pedem para escrever sobre o casal perfeito: bom para quem
gosta de desafios.
O casal perfeito seria o que sabe aceitar a solidão
inevitável do ser humano, sem se sentir isolado do parceiro ou sem se isolar
dele? O casal perfeito seria o que entende, aceita, mas não se conforma, com o
desgaste de qualquer convívio e qualquer união?
Talvez se possa começar por aí: não correr para o
casamento, o namoro, o amante (não importa) imaginando que agora serão
solucionados ou suavizados todos os problemas - a chatice da casa dos pais, as
amigas ou amigos casando e tendo filhos, a mesmice do emprego, chegar sozinha
às festas e sexo difícil e sem afeto. Não cair nos braços do outro como quem
cai na armadilha do "enfim nunca mais só!", porque aí é que a coisa
começa a ferver.
Conviver é enfrentar o pior dos inimigos, o insidioso, o
silencioso, o sempre à espreita, o incansável: o tédio, o desencanto, esse
inimigo de dois rostos. Passada a primeira fase de paixão (desculpem, mas ela
passa, o que não significa tédio nem fim de tesão), a gente começa a amar de
outro jeito. Ou a amar melhor; ou, aí é que a gente começa a amar. A querer
bem; a apreciar; a respeitar; a valorizar; a mimar; a sentir falta; a conceder
espaço; a querer que o outro cresça e não fique grudado na gente.
O cotidiano “baixa” sobre qualquer relação e qualquer vida,
com a poeira do desencanto e do cansaço, do tédio. A conta a pagar, a empregada
que não veio, o filho doente, a filha complicada, a mãe com Alzheimer, o pai
deprimido ou simplesmente o emprego sem graça e o patrão de mau humor. E a
gente explode e quer matar e morrer, quando cai aquela última gota - pode ser
uma trivialíssima gota - e nos damos conta: nada mais é como era no começo.
Nada foi como eu esperava. Não sei se quero continuar assim, mas também não sei
o que fazer.
Como a gente não desiste fácil, porque afinal somos
guerreiros ou nem estaríamos mais aqui, e também porque há os filhos, os
compromissos, a casa, a grana e até ainda o afeto, é preciso inventar um jeito
de recomeçar, reconstruir. Na verdade devia-se reconstruir todos os dias. Usar
da criatividade numa relação. O problema é que, quando se fala em criatividade
numa relação, a maioria pensa logo em inovações no sexo, mas transar é o
resultado, não o meio. Um amigo disse no aniversário de sua mulher uma das
coisas mais belas que ouvi: "Todos os dias de nosso casamento (de uns 40
anos), eu te escolhi de novo como minha mulher". Mas primeiro teríamos de
nos escolher a nós mesmos diariamente. Ao menos de vez em quando sentar na cama
ao acordar, pensar: como anda a minha vida? Quero continuar vivendo assim? Se
não quero, o que posso fazer para melhorar?
Quase sempre há coisas a melhorar, e quase
sempre podem ser melhoradas. Ainda que seja algo bem simples; ainda que seja
mais complicado, como realizar o velho sonho de estudar, de abrir uma loja, de
fazer uma viagem, de mudar de profissão. Nós nos permitimos muito pouco em
matéria de felicidade, alegria, realização e, sobretudo, abertura com o outro.
Velhos casais solitários ou jovens casais solitários dentro de casa são
terrivelmente tristes e terrivelmente comuns. É difícil? É difícil. É duro? É
duro. Cada dia, levantar e escovar os dentes já é um ato heróico, dizia Hélio
Pellegrino. Viver é um heroísmo, viver bem um amor mais ainda. O casal perfeito
talvez seja aquele que não desiste de correr atrás do sonho de que, apesar dos
pesares, a gente, a cada dia, se escolheria novamente, e amém.
quinta-feira, 3 de abril de 2014
"Majorité Opprimée" - Maioria Oprimida
Um dos temas do nosso curso "Para Além da Metodologia do Ensino da Dança", discute a visão de homem e de mulher desde os tempos selvagens até os dias de hoje. Vale a pena assistir ao curta metragem indicado abaixo, para continuarmos nossas reflexões.
"Majorité Opprimée" - Maioria Oprimida (LINK): Cliquem no link ao lado para assistirem ao curta.
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Dando início ao nosso Blog
Olá pessoal!
Dando início ao nosso BLOG interativo!
Aqui, todos os alunos serão também autores do Blog. Isso quer dizer que todos podem escrever posts, publicar vídeos, fotos, indicar leituras, etc, além de comentar os posts já escritos.
É neste blog que postarei nossos novos textos de apoio às aulas. Eles poderão ser lidos aqui mesmo ou serem impressos se assim vocês o preferirem.
Que este seja nosso espaço e tempo de crescimento compartilhado!
Um abraço,
Carol
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